quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Mito da Tarja Preta


Galera hoje vamos tratar de um assunto sério (e muitas vezes polêmico), assim que tive acesso a este texto pensei em publicá-lo aqui, mas, um pouco receoso, preferi pedir ajuda a um profissional capacitado para tal, com isso procurei meu professor de Psicofarmacologia, Fernando Avelar Tonelli, Psiquiatra e Acupunturista preocupado com a qualidade e eficiência em atendimento, além de ser um amante do funcionamento da psiquê humana. Após o aval dele publico o texto abaixo :


Quem nunca se deparou com a frase: “Estou tomando medicamentos fortes... de “tarja preta” (...). Parece que a cada dia, vêm crescendo mitos em tornos de medicamentos controlados, principalmente àqueles direcionados à saúde mental.
Erroneamente, pessoas julgam a tarja preta como algo relacionado ao “forte” e perigoso, ou ainda, acrescentam que a tal “tarja maligna” esta presente em substâncias que, na verdade não o são, como no caso, os antidepressivos.
O que ocorre, é uma generalização de medicamentos psiquiátricos, como drogas perigosas e causadoras de dependência. Esclarecendo: Os medicamentos com a “tarja preta”, são medicamentos que, se ingeridos em excesso, podem causar dependência, daí, a necessidade da retenção da receita médica. Como exemplo de tais substâncias, temos alguns anorexígenos (medicamentos para emagrecer) e ansiolíticos (os chamados, “calmantes”).
Já os antidepressivos, possuem a tarja vermelha, que também é necessária uma retenção da receita médica, no entanto, diferente dos classificados como tarja preta. O que é freqüentemente observado, é que há um mau uso da palavra, pois diversos medicamentos direcionados para ansiedade e afins, são chamados de antidepressivos. Erroneamente, grande parte da população, acredita que as substâncias da tarja preta são maléficas à saúde, enquanto que demais drogas, seriam mais “leves”. Na verdade, todos os medicamentos podem causar efeitos colaterais e sérios riscos à saúde caso sejam consumidos sem prescrição médica e de forma abusiva.
Cabe aqui, pensarmos, o quanto este mito da tarja preta, interfere no processo de tratamento e “cura” de pacientes que, por vezes, resistem ao tratamento temendo tornarem-se dependentes químicos, ou ainda, que acreditam estar extremamente doentes, e por isso necessitam dos medicamentos de tarja preta. Para saber mais sobre a classificação de medicamentos e tipos de restrições e cores nas embalagens, visite o site do Centro de Vigilância Sanitária: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/reg_farm.asp

acessem também wwww.acupunturaepsiquiatria.com.br/

sábado, 10 de abril de 2010

Aaahhh a Solidão

Salve galera, mais um post, por enquanto continuaremos com nossa saga, navegando pelas sábias palavras de alguns Brasileiros (não sou bairrista, e sim orgulhoso de meu país).
Chico Buarque, nome artístico de Francisco Buarque de Hollanda (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944), é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, iniciou sua carreira na década de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a canção A Banda, o Festival de Música Popular Brasileira. Em 1969, com a crescente repressão da Ditadura Militar no Brasil, se auto-exilou na Itália, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Na carreira literária, foi ganhador do Prêmio Jabuti, pelo livro Budapeste, lançado em 2004.

SOLIDÃO

"Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é CARÊNCIA!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência
de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é SAUDADE!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe,
às vezes para realinhar os pensamentos...
Isto é EQUILÍBRIO!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsoriamente...
Isto é um PRINCÍPIO DA NATUREZA!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é CIRCUNSTÂNCIA!

Solidão é muito mais do que isto...

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma."

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Começando bem, com Rubem Alves

Primeira Postagem galera.. Nesta solene inauguração gostaria de passar algo que seria por vez, a excência do blog, pensando assim, ninguém melhor que o brasileiríssimo Rubem Alves e seus Tesouros formados por letras.
Este, em especial, nos eleva a um estado sublime do pensamento e a um novo prisma na forma de pensar... Espero que gostem.. Vamos ao post.


Em Minas, antigamente, eram comum nas portas, à frente das casas, um buraquinho por onde passava um barbante. O barbante estava amarrado ao trinco. Bastava puxar o barbante do lado de fora para que a porta se abrisse. Assim, qualquer pessoa, a qualquer hora, podia entrar, sem precisar bater, e se não houvesse ninguém na casa, ir até a cozinha e tomar um cafezinho quente no fogão de lenha. Não conheço caso de que esse gesto de cortesia e confiança, o barbante pendente, tivesse sido desrespeitado. Imaginemos entretanto, em puro devaneio literário que, num dia qualquer, voltando para casa, o morador a encontrasse ocupada por todo tipo de pessoas (haviam entrado puxando o barbante), umas amigas, sempre bem-vindas, mas a maioria desconhecidas, que enchiam as salas, os quartos, os corredores, os banheiros, a cozinha… Algumas, simpáticas, sorridentes, outras meio vadias, tinham entrado porque era fácil puxar o barbante…Pois foi precisamente essa a imagem que me veio ao ler o artigo justamente irado do Frei Beto, a propósito de uma invasão sofrida. Antigamente, quando era preciso escrever no papel, sobrescritar envelope, ir ao correio e colar selo, a trabalheira era muito grande. Por isso as cartas eram sempre sobre coisas importantes. Hoje quem não tem o que fazer faz uso da facilidade para ficar mandando e-mails. Frei Beto encontrou 137 e-mails à sua espera. Aí ele ficou muito bravo e fez uso da tecla delete para dar expressão ao seu sadismo…
Pois eu vou me juntar ao frei Beto para falar mal do telefone celular. Faz tempo, comprei um, daqueles pesadões, hoje elefantes se comparados aos mais modernos, pequenos beija-flores que se seguram delicadamente com o indicador e o polegar. Me sinto humilhado, pela comparação. Pensei em comprar um beija-flor, para exibir minha modernidade. Mas não adianta. O meu, nesse momento em que escrevo, não sei onde está. Também não adianta. Está sempre desligado. Acho que não quero ser encontrado.
Psicanalista, tenho o costume de ficar interpretando os objetos. O telefone sendo um deles. Descobri, num museu da cidade de Lavras, uma “folhinha” colorida da loja da minha avó, Sophia Alves do Espírito Santo, próspera e progressista. Data: 1917. Está lá, o número do telefone: 23. Pensei: para que? Quantos telefones devia haver em Boa Esperança, naquele ano? Dois? Três? E mesmo se houvesse, as pessoas não faziam compras por telefone. O tempo era muito comprido, e as pessoas queriam mesmo era ir ao lugar, para matar o tempo que não passava e prosear. Negócios com a capital? Impossível. Não se faziam negócios por telefone. Mesmo porque não se conseguia ouvir o que se dizia. Minha avó tinha telefone não por razões práticas, mas, como sugeriram Veblen e Freud, por razões simbólicas. Para esnobar riqueza. Quem tinha telefone era rico.
Telefonema era coisa grave. As casas não tinham telefone. Havia um “posto telefônico”. A chamada chegava no posto, que enviava um mensageiro à casa da pessoa chamada. Chegava o mensageiro, todo mundo estremecia. Tinha de ser coisa muito grave. Quem será que morreu? - se perguntava. Acho que é essa gravidade ancestral de uma chamada telefônica que explica o fato de que quando o telefone toca todo mundo corre. Interrompe-se tudo. Não conheço ninguém que, tocando o telefone, deixe o telefone tocar. Preciso resolver um assunto num escritório. Paro minhas coisas para ir lá. No balcão, ou numa mesa, converso com o funcionário. No meio da conversa, toca o telefone. Quem telefonou não foi lá, como eu, ficou em casa, não quis perder tempo. Pois quem estava me atendendo, sistematicamente, interrompe nossa conversa, me deixa esperando, e fica atendendo aquele que não foi. Por quê? Porque se pressupõe que o telefonema é sempre mais importante. Telefonema é coisa grave.
Nos aeroportos fico contemplando o espetáculo, todo mundo falando no celular. Penso: Quantas coisas importantes estão acontecendo, inadiáveis! Ah! Como se sentem felizes as pessoas quando seu telefone celular toca. O toque de um celular anuncia para todos o quão importante ela é. Eu, com frequência, faço palestras. E já é norma esperada que, no meio da minha fala, um telefone celular toque. A princípio eu ficava indignado mas não dizia nada. Mudei de idéia quando, certa vez, o telefone de um cavalheiro que se assentava na primeira fila tocou e ele, ao invés de desligar o telefone, conversou tranquilamente com a pessoa do outro lado da linha (??). E ali fiquei eu perplexo, com cara de bobo, falando, enquanto o tal cavalheiro, do centro de sua bolha narcísica, anunciava para as 600 pessoas o quão importante ele era. A pessoa que faz isso tem uma visão grandiosa e poderosa de si mesma. Ela se imagina encontrar no centro de coisas gravíssimas que exigem sua ação imediata. Caso contrário, se ela não atender o telefone e não agir, é possível que o mundo caia em pedaços. De alguma forma, é como se fôssemos um dos super-heróis, Batman ou Super-homem, de cuja ação imediata depende a normalidade do mundo. Agora quando o celular toca eu faço gozação. Faço interpretação psicanalítica. O telefone celular que toca é um falus que se exibe.
Quando eu era menino a diversão da gente era ir à matinée aos domingos, para o faroeste. O mocinho, com aqueles revolvões pendurados na cintura! Que inveja! Bem que eu gostaria de ter cinturão de mocinho com revólver no coldre. Assim, quando eu fosse andando pela rua todo mundo me olharia com medo e respeito. É essa fantasia infantil que me vem à cabeça quando vejo os homens andando por aí, com seus telefones celulares pendurados no coldre que está preso ao cinto. É menino realizando o sonho. Nos restaurantes cada um põe a sua arma sobre a mesa. É preciso estar atento. É preciso estar pronto. Jamais deixar o celular no carro! A qualquer momento pode surgir uma emergência. É preciso agir com rapidez.
Acho um telefone celular uma coisa útil. É possível que, no futuro, eu compre um dos pequenos (pequeno, mas potente!), que eu possa carregar na pochete. No coldre, jamais! Morreria de vergonha! Mas fico assombrado com a forma como as pessoas abrem mão da sua privacidade. Talvez porque a sua privacidade seja vazia, não tenha nada lá dentro. Sendo vazia, elas se sentem diluir no nada. Penso, assim, que o telefone celular é um artifício que se usa para lidar com a solidão. Que horror, quando o celular não toca! Ninguém está se lembrando de mim! Ninguém precisa de mim! Vou sugerir aos fabricantes de celulares que os aparelhos tenham um marcador de chamadas. Assim, ao final do mês, as pessoas poderão avaliar o quão importantes elas são. “Ah! Como sou importante! Fui chamado 280 vezes!” Assim ficarão felizes. Os celulares podem ser, assim, aparelhos para se medir, quantitativamente o grau de importância de alguém. O que importa não é a mensagem, aquilo que é comunicado. É o meio - o fato de o celular estar sendo usado. Como dizia Marshal MacLuhan: “O meio é a mensagem”. Essa é a razão por que as pessoas aumentam o seu prazer falando no celular de forma a serem vistas e ouvidas. É preciso que todos saibam! Nos aeroportos elas falam andando (para aumentar o público) e falando alto para que os que não estão vendo ouçam. É divertido.
Tenho saudades do tempo, lá em Minas, do barbante pelo buraco na porta. Os visitantes eram sempre amigos e poucos. Hoje é perigoso deixar o barbante de fora. A gente termina por perder a casa. Tenho medo do e-mail. Tenho medo do celular.

Rubem Alves